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Retomada: ancestralidade viva, identidade presente


Mabayô e Letícia Aguiar apresentam a exposição fotográfica “Retomada”, que será lançada no dia 18 de setembro.

Por Adryana Ryal Petara
Terça-feira, 15 de setembro de 2026 11:08


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Mostra das artistas Mabayô e Letícia Aguiar propõe novos olhares sobre a identidade indígena, com destaque para o povo Puri, e convida o público a desconstruir imagens coloniais sobre os povos originários

A história dos povos indígenas não está presa ao passado. Ela pulsa nos corpos, nas memórias, nas vestimentas, nos territórios e nas pessoas que caminham pelas cidades, ocupam espaços e constroem o presente.

É a partir dessa perspectiva que as artistas Mabayô e Letícia Aguiar apresentam a exposição fotográfica “Retomada”, que será lançada no dia 18 de setembro. No dia 20, haverá uma visita guiada com as artistas. A programação também marca o lançamento da edição referente ao segundo semestre de 2026 da revista Menga, publicação dedicada ao protagonismo dos povos originários do Sudeste brasileiro.

A exposição coloca em evidência a presença indígena contemporânea, especialmente a do povo Puri, cuja história e ancestralidade atravessam os territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Por meio da fotografia e da imagem de moda, as artistas propõem uma reflexão sobre identidade, memória, corpo e vestuário, afirmando outras possibilidades de existir, vestir-se e produzir conhecimento.

“Retomada” é também um convite a rever as imagens que aprendemos a reconhecer como indígenas. Durante séculos, as narrativas coloniais construíram representações que reduziram a diversidade dos povos originários a figuras de um passado distante, frequentemente associadas à ideia de primitivismo. Essas imagens ainda atravessam livros, discursos e o imaginário social, contribuindo para a invisibilização de pessoas e comunidades que permanecem vivas e atuantes.

A realidade, porém, é muito mais ampla e diversa. Os povos indígenas apresentam diferentes tonalidades de pele, cabelos lisos ou cacheados, modos de vestir, expressões culturais e trajetórias de vida. Estão nas aldeias, nas cidades, nas universidades, nas instituições culturais e em tantos outros espaços. São pessoas reais, com direitos, conhecimentos, histórias e projetos de futuro.

É nesse encontro entre arte e realidade que a exposição ganha força. Ao colocar os corpos indígenas no centro da narrativa visual, as artistas deslocam o olhar colonial e afirmam o direito dos povos originários de construir as próprias imagens, sem depender de representações externas que os aprisionem a estereótipos.

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Mabayô

Mabayô, artista e profissional da moda, desenvolve uma prática que aproxima moda, arte, cultura e ancestralidade. Seu trabalho é atravessado pelos fazeres manuais e têxteis e pelas memórias familiares.

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Letícia Aguiar

Letícia Aguiar, de 24 anos, é ilustradora, fotógrafa, estudante e comunicadora socioambiental. Constrói imagens e registros a partir dos encontros com pessoas, territórios e culturas.

Em “Retomada”, essas trajetórias se encontram na produção de imagens que dialogam com a memória e a reconstrução de vínculos. Utilizando a imagem de moda como ferramenta de enfrentamento à dominação colonial, a exposição propõe outras formas de vestir-se, existir e produzir conhecimento, tensionando narrativas que historicamente apagaram e subalternizaram os saberes indígenas.

O lançamento da revista Menga amplia esse movimento ao reunir outras possibilidades de reflexão e visibilidade sobre os povos originários do Sudeste. A publicação e a exposição aproximam-se ao defender que a presença indígena seja reconhecida não como uma lembrança distante, mas como parte constitutiva da sociedade brasileira contemporânea.

Mais do que apresentar fotografias, “Retomada” propõe uma mudança de perspectiva. É um encontro com corpos que carregam histórias, com identidades que se reafirmam e com povos que continuam produzindo conhecimento, arte e cultura.

Porque retomada também é isso: recuperar o direito de contar a própria história, ocupar espaços e existir sem que o olhar do colonizador determine quem somos.

Serviço

Exposição: Retomada

Artistas: Mabayô e Letícia Aguiar

Lançamento da exposição e da edição do segundo semestre de 2026 da revista Menga: 18 de setembro de 2026

Visita guiada com as artistas: 20 de setembro de 2026, às 12h

Local: AICE — Mercado Municipal, 2º andar

Entrada: gratuita


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